O SINDIMUCE volta a cobrar respostas do Theatro José de Alencar sobre situação dos pianos, carência de equipamentos e sobre ausência da linguagem Música na Convocatória do TJA
O SINDIMUCE volta a cobrar resposta sobre situação dos pianos do Theatro José de Alencar, carência de equipamentos e sobre ausência da linguagem Música na Convocatória do TJA
O Sindicato dos Músicos Profissionais do Estado do Ceará – SINDIMUCE volta a cobrar à direção do Theatro José de Alencar, à Secretaria da Cultura do Estado do Ceará e ao Governo do Estado do Ceará uma resposta concreta sobre três pontos:
1
Situação dos pianos do Theatro José de Alencar. Conforme o SINDIMUCE denunciou há mais de três meses, ambos os pianos do TJA estão, há muito tempo, sem condições de uso.
A imprensa deu destaque ao tema, quando o sindicato levou a público a questão, e na ocasião a resposta do TJA não definiu um prazo concreto para a aquisição de outro piano, limitando-se a citar esforço em busca de parceria e recursos. Recursos do Tesouro Estadual, inclusive os destinados todos os anos à OS Instituto Dragão do Mar (IDM), através da qual o Theatro é gerido em parceria com a Secult, não são suficientes para a aquisição de um ou dois novos instrumentos?
O sindicato também recebeu com tristeza e lamentação a manifestação da direção do Theatro, que tentou minimizar o problema, argumentando que eventos não estariam deixando de ser realizados, pela falta de piano em condições de uso. Infelizmente, uma avaliação superficial, pouco cuidadosa, deslocada da realidade, que cita a substituição do piano por teclado. Trata-se de instrumento específico, com linguagem específica, para fins específicos, não podendo haver, em um equipamento público, a adoção de “substituição por teclado” como diretriz de trabalho. Precisamos de um ou, de preferência, dois pianos, de forma urgente, no TJA, e reforçamos essa reivindicação.
2
Situação do ar-condicionado e dos equipamentos de sonorização e iluminação do TJA. Embora seja de amplo conhecimento da comunidade que o Theatro não dispõe dos equipamentos que seriam essenciais para atender a shows, concertos e outros espetáculos, levando à necessidade de artistas e produtores/as alugarem equipamentos extras, por conta própria, o que infelizmente é bem distante da realidade financeira de muitos/as colegas, inviabilizando muitas produções.
Quando serão adquiridos e colocados em uso novos equipamentos, para sanar essa lacuna? Quando haverá de fato um sistema de ar-condicionado funcionando plenamente e que não coloque em situação vexatória, em intenso calor, plateias de espetáculos lotados? Reivindicamos um prazo para a efetiva solução da questão.
3
Convocatória do TJA.
O SINDIMUCE levou a público denúncia sobre a não inclusão da linguagem Música na convocatória de espetáculos aberta recentemente. Em resposta por meio de nota, a direção do TJA não entra no mérito da questão, não explica por que a Música não foi incluída. Apenas reitera o fato denunciado, ao expor que a convocatória foi pensada para atender inicialmente a outras linguagens (o que aplaudimos, pois todas necessitam. Lutamos por ampliação, não por exclusão). E ao afirmar que a Música contaria com outras formas de presença no Theatro, que não a convocatória, como as pautas regulares.
Ora, é claro que não está sendo questionada essa presença da música em outras pautas, de iniciativa de artistas e produtores/as independentes, de outras instituições, projetos que cheguem ao Theatro com outras fontes de financiamento, viabilizados por outros modo. O que estamos questionando – e reiteramos a pergunta – e por que a Música não foi incluída na convocatória. Muitos/as artistas e produtores/as não têm outra forma de realizar seus shows e demais atividades. Precisam pelo menos poder concorrer na convocatória, inscrever seus projetos, para terem acesso a uma data com segurança e com recursos, mínimos que sejam, para pagamento de cachês, pré-produção, produção, divulgação, mobilização…
A nota do TJA sobre o tema chama atenção negativamente, por não entrar no mérito da decisão de deixar de fora a linguagem Música e por não demonstrar nenhuma abertura à possibilidade de inclusão dessa linguagem. Com isso, os músicos e músicas do Ceará ficam inegavelmente prejudicados/as. Não poderão concorrer à chance de se apresentar no TJA via convocatória, restando buscarem por si próprios recursos para viabilizar suas apresentações, uma vez que há muitos anos essa é a realidade do Theatro, sendo absoluta exceção a realização de espetáculos em que o Theatro convide os artistas e ofereça cachê, equipamentos, estrutura, equipe, e sim com os/as artistas demandando datas ao Theatro e se responsabilizando por conta própria pelos investimentos necessários às produções. Uma realidade bem diferente de outros equipamentos culturais mantidos pelo Governo do Estado, que compõem sua programação exclusivamente via convite, com cachês, equipe, estrutura, ou que abrem convocatória pagando cachês e oferecendo equipe e estrutura e também fazem convite a artistas (inclusive muitos de fora do Estado), pagando cachês, equipe, estrutura, passagens, hospedagem…
Por que dois pesos e duas medidas, tão diferentes, se são todos equipamentos estaduais? Por que o TJA, mais simbólico palco de nossas artes, sofre com essa realidade, bem diferente de outros equipamentos vistos como privilegiados ou como “bola da vez”, contemplados com amplos recursos enquanto outros ainda, como o Teatro Carlos Câmara e o Museu do Ceará, seguem sem data para reabertura?
Claro que reconhecemos o esforço enorme da equipe do TJA, composta por servidores/as guerreiros/as, obstinados/as, que se entregam para vencer as tantas adversidades e fazer o melhor, em atender aos músicos/as que levam seus shows ao Theatro, nessas condições, com pedido de pauta. Também reconhecemos e aplaudimos a concessão de gratuidade de pauta ou de desconto de percentual bilheteria como pagamento de pauta pelos/as artistas da cena cearense e que realmente precisam desse direito, compatível com a realidade extremamente desafiadora das produções independentes, autorais. Mas não podemos institucionalizar a precariedade. Justamente por isso é que precisamos, sim, de Música na Convocatória do TJA. E voltamos a solicitar a inclusão da linguagem Música, de forma urgente, imediata, já na atual Convocatória.
Solicitando respostas objetivas do TJA, do IDM, da Secult Ceará e do Governo do Estado, esperamos que possamos contar com ações concretas para superar essas lacunas e mudar essa realidade.
Aproveitamos ainda para relembrar, uma vez mais, a necessidade de resposta da Secult Ceará/do Governo do Estado ao documento com 23 propostas e reivindicações do campo da Música, entregue em junho de 2022 e até o momento sem uma devolutiva ou encaminhamentos de trabalho. São dois anos e três meses de espera. De falta de diálogo. De falta de levar a sério uma manifestação abrangente e consistente, elaborada pela sociedade civil durante mais de seis meses de reuniões semanais. Acreditamos que não seja esse o melhor caminho para a gestão da política cultural. Essa realidade precisa mudar.
A Diretoria Colegiada do SINDIMUCE
Fortaleza, 2 de setembro de 2024

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